É tudo 1 Real

Com letras inspiradas na linguagem das ruas, "É tudo 1 Real" se caracteriza pela mistura de sons e traz muito rap, funk e charm à música brasileira. O disco também tem participações de Paralamas do Sucesso, Carlos Malta e Marcos Suzano. O disco foi produzido por Liminha e teve lançamento siumultâneo no Brasil e no Japão.
Batucada é (instrumentos usados no disco):
garrafão 20L, bateria, repique, surdos, surdos com fimose, tamborins, agogô, ganzá, rocar, pratos, caixa, tonton, bumbo, armário de ferro, chão do "buzum", porta da cozinha, violão de aço, cajón, hi-ride, reco-reco com wah wah, trilho de ferro, latas, barril japonês 10L, pandeiros, reco-reco do Trambique, triângulos, calotas, baixo, guitarra, noise guitchá, sanfona espacial, garrafa de cerveja, tarol, caxixi, tçs guê, igogôilétrico, timbales, congas, atabaques, enxada, hi-hat, feedback, monobloco, güê-güê, guitarraxo, rocar metréquis, sibemol, sino, zabumba, matraca, slide guitchá, escrete, prato calzone, carreteiro, cavaco, bigmuff, metalmast, favela, the naipes, caixas varridas, ruim-hat, sintetáize guitchá, prato de mão.

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FAIXA

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Ficha técnica

Produzido por
Liminha e PLAP

Direção artística
Tom Capone

Gravado por
Fábio Henriques

Mixado por
Liminha, Vitor Farias, Fábio Henriques e PLAP

Produção executiva
Simon Fuller e Flávio Goulart

Assistentes de gravação
Théo Mares, Breno Maia, Breno Gradel e Renato Pagliacci

Assessoria técnica
Paulo Henrique Lima

Assistentes de mixagem
Théo Mares, Breno Maia

Edição digital
Fábio Henriques

Preparação vocal
Suely Mesquita

Pós-produção
Mauro Manzoli

Masterizado por
Ricardo Garcia no Magic Master

Gravado no
Nas Nuvens de fevereiro a junho de 99

Fotografias PLAP
Daniel Mattar

Assistente de fotografia
Tuca Costa, Karla Gallo e Betty Baungarten

Styling
Roberta Stamatto

Assistente Styling
Rosana Pavanelli

Make-Up
Marcio Portela

Coordenação gráfica
Cristina Portella e Silvia Panella

Direção de Arte & Design
Nudes + Primitiva



Matérias

Pedro Luís vai "cantar para toda nação"
por Laura Campanér (borage@uol.com.br)

Massa sonora. Porrada de graves. Dureza das paredes. Batuque. Movimento. Ritmo acelerado da dança. Vômito de frases cruas. Isso "É Tudo 1 Real" de Pedro Luís e a Parede.

A faixa título, que abre do CD, parte com força mais que suficiente pra derrubar falsas delicadezas. Reproduz o clima confuso das feiras livres e questiona o valor das coisas que são niveladas por baixo. Mas segue descontraindo, com seu elogio à "Menina Bonita", música mais radiofônica do disco.

Pedro Luís e a Parede, que também receberam elogios por parte da crítica e do público ao chegarem no cenário da música, esperam agora pelo reconhecimento de seu trabalho por parte das rádios, para finalmente fechar o ciclo de quem veio pra ficar no mercado musical.

Sintetizando imagens da "Cidade em Movimento", as letras das músicas do CD falam principalmente do cotidiano urbano. Transparece uma preocupação com letras mais trabalhadas.

As rimas misturam línguas de quem fala só "de ouvido", a exemplo da linguagem diária dos brasileiros, como as da música "Mergulho Marítimo", "eu disse xi, é ela / ela disse ri, é ele / what time? hesite, não vejo a hora / dissemo now é hora da embarcação partir / gritamos xit/ nos divertimos/ pensamos beach", e outros achados que Pedro Luís coleciona em sua poética.

Pedro lida com elementos musicais de extrema facilidade de compreensão. Mas surpreendentemente, consegue ser sutil ao mesmo tempo. Quando por exemplo introduz na música "Aê Meu Primo" frases inteiras das cantigas de roda "ciranda cirandinha" e "marcha soldado", algo que normalmente é convencional, incluído no contexto da música, sem sabermos porque, soa subversivo.

O encarte do CD é como cidade grande. Indicações para todos os lados. A gente se assusta e se perde no início, para só depois se familiarizar. "É tudo 1 Real" é rap, é charm, é maracatu, é axé, é funk porrada, rock com pitadas de olodum, refrão que gruda no ouvido, shake de critica social com um convite à desencanação. E assim Pedro Luís vai tentar "cantar para toda a nação".

A Parede é: Mário Moura, Sidon Silva, C.A. Ferrari e Celso Alvim.

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Pedro Luis volta com seu suingue carioca da gema
por Schneider Carpeggiani

Assim como o Recife, o Rio de Janeiro também conta com um cenário de artistas retratando e reinventando o seu imaginário urbano particular, em músicas, trejeitos e discurso. Os daqui, é chover no molhado citar. Todo mundo já sabe na ponta da língua. Os de lá, vale a pena lembrar: Fernanda Abreu, Farofa Carioca, O Rappa, Planet Hemp e Pedro Luís e a Parede.

Esse último, apesar de não ficar devendo muito aos seus companheiros, em termos de qualidade musical, teve a menor vendagem de todos eles, com o seu primeiro CD, Astronauta Tupy, lançado em 97 - 14 mil discos em território nacional e 8 mil no Japão. Espera-se que o segundo trabalho desses cariocas, È Tudo 1 Real, produzido pelo vampiro do pop brasileiro Liminha, e co-produzido por eles próprios, possa mudar a situação. Vale ressaltar que o Recife, depois do Rio, é a cidade onde a PLAP mais vende discos.

È Tudo 1 Real chegou semana passada já com o inusitado aval da Madonna. A cantora americana fez parte da platéia de um recente show do grupo no Central Park, em Nova York, no qual uma prévia do segundo CD era apresentada. Apesar da tentativa de permanecer anônima, Madonna foi reconhecida por algumas garotas brasileiras, que a flagraram dançando alucinadamente ao som do grupo, e foram correndo contar ao Pedro a respeito da ilustre presença.

Apesar da mão de Liminha, Pedro Luís e a Parede não se rendeu ao esquemão mercadológico fácil. Em seu segundo trabalho, o grupo continua fazendo um pop eficiente e não de todo descartável. Rolou até uma história a cerca de uma provável briga entre a banda e o produtor, que acabou produzindo apenas oito das 12 faixas do CD. Pedro Luís negou o desentendimento, afirmando que Liminha abandonou o barco pela metade por estar muito ocupado.

De qualquer forma, Liminha até que não faz muita falta a um grupo que sempre esteve mais ligado ao cenário alternativo (em questões conceituais, não musicais, vale ressaltar), iniciando sua carreira se apresentando no projeto CEP (Centro de Experimentação Poética) 20000, centrado no Rio de Janeiro, e coordenado pelo poeta Chacal. O CEP 20000 tem como proposta abrir espaço para todos os novos segmentos artísticos que queiram apresentar trabalhos, que tanto podem ser em forma de música, prosa, poesia ou teatro.

O PREÇO MESMO É 20 REAIS - O negócio da PLAP é mesmo o suingue, que, apesar do carioquês exacerbado, está cada vez mais universal, misturando o batuque daqui (melhor dizendo, do Rio) com o de lá de fora. Quando a banda tenta flertas com canções mais lentas, o resultado derrapa. Uma prova disso são as baladas Menina Bonita e Mapa da Mina, a faixa mais fraca do novo CD. Em contraponto, o balanço de Aê Meu Primo, misturando batuque com canções infantis de domínio público, é incendiária, com certeza uma das melhores já lançada pela banda.

Quase tão boa quanto Aê meu Primo, é Brasileiro em Tóquio, uma marchinha de carnaval, com a participação da Paralamas do Sucesso, que incluiu uma música inédita da PLAP em seu acústico da MTV. Ainda no quesito carnaval, há ainda a competente Ôba, pérola do cancioneiro carnavalesco, composta pelo salgueirense Osvaldo Nunes para o bloco Bafo da Onça, que já estava fazendo parte do repertório da banda há algum tempo. È Tudo 1 Real é pop brasileiro radiofônico, dançante, criativo e extremamente bem feito. Vale a pena desembolsar os seus, não 1, mas 20 reais.