Zona e Progresso

Batucada é (instrumentos usados no disco):
batera de cajón, zabumbalfaia, ruim-hat, barril 15L, três tabelas, rocar, surdo 22 na mão e na lata, pratos, matracas, naipe de alfaias, reco-reco, triângulo, lataria, naipe de agogôs, bateria, enxada, chapa galvanizada, kalota do Kid, baixo escroto, fretless, surdo, batás (iyá, otótele, okonkolo), baixo, tarol, repicão, pandeiro, tamborim, saco plástico, tirante do surdo, latas, zabumba, naipe de surdos, naipe de rocar, hi-hat, fim do mundo, repique na lata e na mão, tumbadora, conga, cowbell, tamborins envenenados, naipe de cuícas, hi-ride, barril 50L, ganzilla, violões de nylon, violões de aço, guitarrinha de 12 cordas, cavaco, guitarra wah-wah, paraíba raitéqui.

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FAIXA

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Releases


“A rua elevado ao cubo!
O refinamento da rusticidade!
Essência e excesso!
A maturidade na linguagem!
A radicalidade da festa!
Zona e progresso!
O som de Pedro Luís e A Parede é a cara do Rio. É o samba do morro, é o funk do asfalto, é o convívio pacífico dos opostos... Mar e floresta, Vigário Geral e Vieira Souto, Candelária e Carnaval...
O som do Pedro e A Parede é a cara do Brasil. É o livre trânsito de muitas tendências, é aglutinação de rifes e raças, é o camaleão diante do arco-íris, é a música do futuro do mundo, é promiscuidade e mestiçagem...
O Brasil do Rio do Pedro é universal e cosmopolita, malandro e versátil, e reflete os quatro cantos deste país continente.
O som dessa rapaziada é ímpar! E tem cacife pra ser ponta de lança de qualquer futuro que a MPB venha a experimentar!
Zona e Progresso é o que há!...”

Lenine

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O princípio de Pedro Luís para construir sua Parede sonora é justamente desmembrar os elementos de uma bateria. Pode parecer contraditório, mas arquitetos e engenheiros muitas vezes também preferem colocar tudo abaixo para erguer suas obras em plena harmonia.

Na música de Pedro Luís e A Parede, os materiais são variados – barril de15 e 50 litros, lataria, enxada, chapa galvanizada, rocar, surdo,reco-reco, pratos, matracas, triângulo, violões, cavaco, guitarra, etc,etc, etc. A ficha técnica explica e resume tudo em uma única palavra: batucada. É isso que o PLAP quer que a gente ouça! Neste novo CD, a Parede de Pedro Luís abre mais uma vez suas janelas para a MPB, osamba, o rock e o xote. O gênero não é tão importante, é preciso ter suíngue.

Tendo cursado Letras e Música, Pedro Luís formou-se antropólogo urbano na faculdade da vida. A crítica social é tema recorrente de suas músicas. Logo na faixa-título, “Zona &Progresso” (Suely Mesquita, Pedro Luís e Arícia Mess), fica claro seu pensamento sobre a atual situação do mundo. “A sugestão do nome do CD veio do Mário Moura, a princípio inspirada no processo do próprio PLAP. O analfabetismo hi-tech em que nosso país repousa e a dificuldade de encontrar nossa maneira de exercer a cidadania projetam o lema a nívelnacional; e os atuais acontecimentos constatam que esta é a realidade do mundo moderno”, afirma Pedro Luís. Nesta mesma linha, “Batalha Naval” (Bianca Ramoneda e Pedro Luís) pinta a guerra social travada diariamente nas ruas das grandes cidades e “Não ao desperdício” (Cabelo e Gláucia Saad) denuncia a sociedade de consumo.

As desilusões amorosas também têm vez neste repertório, aparecendo no samba “Parte coração” (Pedro Luís) e na machadiana “Mão e Luva” (de Pedro Luís, já gravada por Adriana Calcanhoto). Já a bem-humorada “10 de queixo”(Pedro Luís) mistura guitarras ao xote, prometendo botar a meninada no clima do ‘remeleixo’ a modo de ‘deixá’ muito marmanjo de queixo caído.

Com músicas gravadas por Fernanda Abreu, O Rappa, Ed Motta, Cidade Negra, Adriana Calcanhoto e Ney Matogrosso, Pedro Luís passou a ser chamado pelo produtor Liminha de ‘fornecedor de repertório’. Neste álbum, entretanto, metade das 12 faixas não levam sua assinatura. Segundo Pedro, a seleção das músicas desta vez foi mais coletiva e recaiu sobreas preferências musicais da banda e coisas que eles já vinham tocandonos shows. É o caso de “Morbidance” (inédita de Lula Queiroga, FelipeFalcão e Lucky Luciano), “Saudação a Toco Preto” (Candeia), da já citada “Não ao desperdício”, da profética “Ciranda do Mundo” (composta por Eduardo Krieger há alguns anos) e “Do Leme ao Leblon” (Carlos Negreiros). Mas uma das escolhidas certamente vai surpreender o ouvinte; afinal, há muito tempo este compositor anda encoberto pelos rebolados da moda: “Nega de Obaluaê” é uma pérola do primeiro álbum de Wando. Uma música que fez parte da adolescência de Pedro Luís e que ninguém sabia ao certo de quem era.

A vida é mesmo imprevisível e urgente. “Quem vai querer” (Pedro Luís) foi pescada do repertório dabanda Urge, da qual Pedro fazia parte no final dos anos 80 – depois de integrar o Cobra Coral e acompanhar o Asdrúbal Trouxe o Trombone; antes formar o PLAP e o recente bloco carnavalesco Monobloco, juntamente com A Parede. Nesta faixa, a voz de Margot Mahnarda, irmã de Pedro, foi recuperada do original, face à impossibilidade de tê-la cantando novamente. Fruto dos imprevistos da vida. Mas que ninguém desanime, pelo menos uma coisa é previsível: a presença de Pedro Luís na cena musical brasileira.

Betina Dowsley
Outubro/2001


Matérias


O esquema de Pedro Luís e sua Parede continua a ser a liquidificação de fragmentos vindos de todo o lugar - samba, funk, pop, maracatu, africanidade e não pára por aí - tudo "organizado" sob a égide da batucada. Ainda que visando primordialmente a fazer o ouvinte requebrar, PL&AP em seu terceiro álbum atinge um refinamento ausente em seus outros trabalhos. Letras mais consistentes e sutilezas inesperadas em meio ao batuque fazem com que o conjunto de canções aqui brilhe mais. Além disso, chama a atenção a consciente tentativa de criar um conceito que amarre as músicas, a partir do próprio título do disco - que sumariza o método de composição do grupo e se desenha nas letras, encharcadas de pasmo sobre a zona nacional, mas sem perder o bom humor. Mais: há um equilibrio maior entre a instintiva (e inteligente) barragem sonora do grupo e a qualidade das canções, que antes (ocasionalmente) sucumbiam à força dos arranjos. Em suma, é um progresso para o grupo, que parece achar cada vez mais sentido em sua zona particular.

Sem precisar prestar contas a ninguém, o grupo se apropria de leve da onda samba-rock e trama suingue de rara extração em faixas como Do Leme ao Leblon e na própria música-título. Mas o suíngue de PL&AP tem assinatura própria, mesmo relendo canções alheias; vide o tratamento "sacundin" dado a Saudação a Toco Preto, de Candeia, e o surpreedente resgate de Nega de Obluaê (um Wando setentão, ainda imerso no samba-rock e antes das calcinhas). A ponte com o Nordeste, às vezes não muito clara na fusão sonora da banda, marca presença em Ciranda do Mundo e Dez de Queixo, ambas nutridas de sons tipicamente pernambucanas. Como também pernambucana é a talvez melhor canção do álbum, Morbidance (de Lula Queiroga, Lucky Luciano e Felipe Falcão). Se o clima pesa nesta e em outras faixas do disco (como Batalha Naval ou na discursiva Não ao Desperdício), Pedro Luís rebate com delicadeza e equilibra tudo, ao som de Parte Coração, sambinha ortodoxo e sutil. (Marco Antonio Barbosa-Cliquemusic)

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Pedro Luís & A Parede: tirando a ordem da casa
Grupo lança Zona e Progresso, prossegue com seu liquidificador rítmico e abraça o Brasil após longa turnê européia
Marco Antonio Barbosa em 29/10/2001

    Muita gente que gosta de MPC - a dita "música popular carioca", termo que chegou a andar em voga por algum tempo - nem sequer sabe da existência de um pensador do século XIX chamado Augusto Comte. Pois foi este italiano, principal pensador da corrente filosófica conhecida como positivismo, quem cunhou a expressão "Ordem e Progresso". Por tabela, o retorno do grupo Pedro Luís & A Parede se dá na contramão do positivismo, misturando sociologia, batucada e carioquice de uma vez só e... Calma aí. Vamos por partes. Primeiro, PL&AP está lançando agora, pelo selo MP,B (com distribuição Universal), seu terceiro álbum. Intitulado... Zona e Progresso. No disco, o quinteto junta a seu habitual mix de samba, pop, funk, baião, influências afro (a lista é interminável...) uma visão de mundo diferente, advinda de uma mais do que proveitosa excursão à Europa. Mas que ninguém ache que, com ares de Velho Mundo e a bordo de um título como este, Pedro e sua turma estejam rasgando a bandeira verde e amarela. Pelo contrário: eles nunca foram tão brasileiros.

    "O nome do disco foi sugestão do Mario Moura (baixista d A Parede). Tem a ver com o tempo em que estamos vivendo agora, embora tenha sido pensado antes dessa confusão toda de terrorismo, guerra química... Estamos numa época de progresso tecnológico incrível, com uma zona incrível na cabeça da humanidade", reflete Pedro Luís sobre o possível significado oculto do título do novo disco. Mas o vocalista quebra a seriedade: "Também tem tudo a ver com o disco em si, que foi um progresso artístico para nós, mas também foi uma zona para concluir (risos)." Apesar da confusão, Pedro, Mário e os percussionistas Sidon Silva, C.A. Ferrari e Celso Alvin são unânimes em afirmar que Zona e Progresso é o disco mais amadurecido do grupo, desde a estréia em 1997, com Astronauta Tupy ouvir 30s Mas sem perder o rebolado. Sidon explica: "O disco novo chegou ao denominador comum do nosso som, que é o suingue. As músicas têm de fazer o povo dançar. Mas sem serem alienantes."

    O processo "zoneado" começou por volta do carnaval deste ano, quando o grupo começou a pensar o novo álbum. "O Pedro montou um CD-R com umas 30 músicas, a maioria dele, mas com algumas de outras pessoas, umas inéditas, outras antigas. Fomos votando e as sugestões mais unânimes entraram no repertório final", lembra Celso. "Já tínhamos decidido fazer um disco este ano - temos um  contrato  entre nós segundo o qual gravamos um disco a cada dois anos (risos)". O que não chegou a ser um sobressalto no caminho foi o desligamento do grupo da gravadora Warner, pela qual lançararam o álbum É Tudo 1 Real ouvir 30s , em 1999. "O negócio é que eles (a gravadora) fizeram a proposta de me lançar solo, sem A Parede", fala Pedro Luís. "Não dava, né? E além do mais para a gente não funcionava tanto ser contratado de uma grande gravadora, que tem interesses muito amplos, artistas muito diferentes para serem trabalhados... Acho que o caminho natural para grupos como o nosso é o de se juntar a selos independentes, que vão fazer o trabalho de  direção artística , e as gravadoras ficam só com a distribuição." Foi daí que Zona e Progresso encontrou sua casa no selo MP, B. "O João Mario, do selo, pegou a gente de primeira. Quando soube que a gente estava procurando gravadora, ele disse:  Não quero nem ouvir o disco antes, já assinei com vocês ", fala Pedro.

    Do tal CD-R lotado de músicas, uma incrível variedade acabou chegando ao disco (gravado no estúdio caseiro do produtor Tom Capone). Tem desde Candeia (Saudação a Toco Preto, sugerida por Pedro) a uma música inédita de Lula Queiroga (Morbidance), passando por... Wando. "Tinha essa música, Nêga de Obaluaê, na lista, e todo mundo gostava da música mas a gente simplesmente não lembrava de quem era..." recorda Mario. "Nós achávamos que era do Jorge Ben, do Bebeto, sei lá. É uma obra da fase Wando A.C., ou seja, Wando Antes da Calcinha", diverte-se Ferrari. "Pois é, o Wando já foi samba-rock", diz Pedro. Canções alheias como Ciranda e Do Leme ao Leblon acabam ganhando a cara do quinteto. As criações próprias do grupo vão do samba carioca (Parte Coração) ao Nordeste ( 10 de Queixo), incluíndo até um "punk de raiz" ( Não ao Desperdício). Ligando tudo, está a potente batucada do trio de percussionistas, que incorpora sambão, maracatu, afoxé e o que mais vier.

    "Somos ruins de enquadramento", fala Pedro Luís sobre o clima "tudo-ao-mesmo-tempo-agora" da mistura sonora do PL&AP. "Quero dizer, não nos restringimos só a um ritmo, a um gênero. Interagimos com os diversos estilos, com outros compositores. Vamos da escola de samba ao pop. O que importa é a música ser boa." Mario completa: "No disco novo, só uma música, Parte Coração, não tem tanta mistura de ritmos - é um samba mais tradicional. O resto é tudo embolado. Tanto que tem algumas músicas que surgem nos ensaios que, de repente, ficam malucas demais - aí a gente tem que parar, para ver onde é que aquilo vai dar." Outro dado forte que continua presente é a notória carioquice do grupo, que fez com que fossem apontados como cabeças da tal MPC (junto ao Farofa Carioca, Forroçacana, Bangalafumenga e poucos outros). Poderia a temática soar, a longo prazo, como uma camisa de força estética? O vocalista teoriza: "Já impliquei mais com este rótulo, agora nem tanto. É sempre uma coisa redutora. Mas por um lado foi bom, pois colocou luz sobre uma galera que estava produzindo muita coisa boa e trocando idéias entre si. Só que nunca houve um manifesto, ou uma organização das pessoas. Isso é coisa da imprensa."

    Cariocas, mas mais universais que nunca, visto o sucesso que Pedro e A Parede fizeram em uma recente excursão à Europa. Foram 58 dias entre junho e julho, tocando em vários festivais e testando o novo repertório ao vivo. A experiência foi inestimável para a carreira da banda. "Rodamos só na França uns seis mil quilômetros, todo mundo enfiado dentro uma van", fala Mario. "Nunca tínhamos feito nada parecido no Brasil, sempre ficávamos assustados na hora de viajar; era preço de passagem, de transporte... Agora queremos aplicar este método ao nosso dia-a-dia aqui." Ferrari acrescenta: "Em dois meses, tocamos em mais cidades na Europa do que em cinco anos no Brasil. Sem contar que fizemos shows radicalmente diferentes: num lugar na França tocamos para umas vinte pessoas, e num festival na Alemanha encaramos mais de dez mil de uma vez só." Sidon conta: "Um grande momento foi quando participamos de um festival só de percussão na França. Terminamos nosso show e saimos batucando pela praça, juntando gente, e aí foi chegando mais público e mais músicos, que iam saindo de outros shows que estavam rolando... foi uma união incrível."

    O passeio europeu acabou deixando Pedro Luís & A Parede com fome de bola para abraçar o país. Apesar do discurso ainda carioquíssimo. "Agora queremos correr o Brasil todo", diz Pedro. "A viagem foi ótima para abrir nossa cabeça neste sentido. Mas o interessante é que, para o povo que nos ouve, o fato de sermos cariocas não pesa em nada. Já vi gente achando que nós éramos de Minas, de São Paulo. Em Recife me elogiaram dizendo que nós éramos a melhor banda de Pernambuco!" Para confundir mais ainda a cabeça dos fãs, o grupo decidiu que o alter-ego do PL&AP, o bloco carnavalesco Monobloco, agora terá vida própria. "Vamos alternar um ano de trabalho como A Parede e um ano com o Monobloco. Foi uma forma de arrumar serviço para o Carnaval", brinca Sidon. A batucada não pode parar.

(Matéria extraída de http://www.cliquemusic.com.br)


Ficha Técnica


Produzido por
Pedro Luís e A Parede, Álvaro Alencar, Plínio Profeta e Tom Capone

Gravado, editado e monitorado por
Plínio Profeta e Álvaro Alencar na Toca do Bandido

Mixado por
Álvaro Alencar, PLAP e Tom Capone na Toca do Bandido

Gravações adicionais na Tenda da Raposa e Eco Som Estúdio

Assistentes de gravação
Tomás Baptista e Luciano Tarta

Masterizado por
Ricardo Garcia no Magic Center

Direção de arte e design
Billy Bacon e Ernani Cal (Nudes)

Fotos
Arno Villenave e arquivo pessoal da banda

Grafite "brazilian batucada"
Flávio Goulart

Caricatura reportagem capa
Alex Ponciano (durante show no SESC Santos 29/6/2000)