Monobloco 2002

Pulando direto do Carnaval para os estúdios, em 2002 Pedro Luís e sua gangue resolveram colocar o paredão sônico do Monobloco em CD. "Já no segundo disco d A Parede (É Tudo 1 Real) tinhamos experimentado gravar todo mundo junto, em bloco", diz Pedro. Mas como colocar o Monobloco inteiro - 150 ritmistas - no estúdio? "Seria impossível", ressalta Celso. "Fizemos um núcleo com 25 percussionistas, escolhidos durante as oficinas, e mandamos ver." Na hora de escolher os "agregados especiais", o Monobloco foi mais generoso. Uma seleção de talentos da nova cena carioca, como Cabelo, Fábio Alman e Pedro Quental, se juntou a rappers (Xis e Rappin Hood), integrantes de escolas de samba cariocas e à onipresente Elza Soares. Membros dos grupos Bangalafumenga, Dread Lion, Boato, Chalaça, A Bruxa, Rio Maracatu, Afro Rio, Funk  N Lata e EletroSamba integram a seção percussiva.

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FAIXA

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Release

"Evoé Monobloco! Bem vindo seja...  O filho mais novo da cidade maravilha, chegou! Cria direta da crônica da rua com a química do Rio, o Monobloco é a juventude sonora desta cidade  solar desfiando humor e sensualidade em todas as direções." (Lenine)

"Pessoalmente, o Monobloco me proporcionou grandes prazeres musicais, a música como eu gosto, dividida, forte, suada e feliz. Para quem está de fora, uma catarse, já que, a pretexto de alegria, as pessoas engolem tantas porcarias disfarçadamente animadas. Vamos degustar música de verdade e uma alegria mais inteira, consistente e brasileira!" (Zélia Duncan)

“O legal do Monobloco é que além de promover as mais incríveis misturas com a sua batucada ainda renova e apresenta pra galera mais nova um pouco da história do carnaval do passado. E tudo isso com muita energia e alegria! Viva o Monobloco!" (Fernanda Abreu)”


O ÁLBUM, PROPRIAMENTE DITO :
 
Faixa 1 Monobloco 2002 - O + legítimo representante da ala de compositores do monobloco, Lesko Lesko entoa uma vinheta do samba composto por ele pra o carnaval de 2002. E abre os serviços.

Faixa 2 Rap do Cartão Postal – um passeio pelos cartões postais que são as favelas do Rio no duelo cantado de Cabelo e Pedro Luís .

Faixa 3 Madureira – Serjão Loroza entoa aqui com seu suingue peculiar de Mestre Sem Cerimônias as maravilhas de Madureira e adjacências, dividindo o triálogo com Fábio Alman e Pedro Quental. É balanço pra não deixar quadris parados.

Faixa 4 Domingo e Bom, Bonito e Barato, dois sambas clássicos da União da Ilha, escola das mais queridas por todas as escolas, interpretados respectivamente  e co categoria por Serjão Loroza e Pedro Quental, ganham aqui o luxuoso arranjo de Odilon Costa,  ilustre Mestre de bateria de Escolas  de Samba com passagens pela própria Ilha, além de Salgueiro, Beija Flor e Grande Rio. Ainda a traz a participação especial de Mestre Marrom e Aranha, ritmistas da Mangueira, e o 7 cordas de Rodrigo Campello.
Samba na veia.

Faixa 5 Imunização Racional 2 (Que Beleza) O clássico de Tim Maia Racional ganha uma versão vigorosa na voz rascante de Fábio Alman e traz ainda a sutileza do baixo acústico de Igor Araújo. Destaque para o incidental Rap M.O.N.O.B.L.O.C.O., de Serjão.
A pista vai ferver.

Faixa 6 Mosca na Sopa, canção mais que clássica do saudoso gênio do sarcasmo, Raul Seixas, vem aqui, na interpretação de Pedro Luís, somar-se ao atabaque especial de Nei de Oxóssi e à guitarra estratosférica de Martau, finalizando com menções ao Samba do Lado, de Chico Science e Nação Zumbi e Eu Vou Bater Pra Tu de Arnaud Rodrigues  e Orlandivo. É côco Sideral.

Faixa 7 Na Onda do Berimbau é um daqueles sambas de embalo do genial  Osvaldo Nunes que foram clássicos nos carnavais de rua do Rio, em desfiles históricos do Bafo da Onça, bloco do bairro do Catumbi. O prefácio e o epílogo estão a cargo do berimbau de Zeca Macapá e no meio da faixa vem a aparição precisa  e desconcertante das tumbadoras de Léo Leobons.  A voz de Pedro Luís se diverte, evocando Jackson do Pandeiro.

Faixa 8 Maracatu Embolado é daquelas canções que já nascem clássicas. Interpretada pelo autor, Rodrigo Maranhão, que desfia seus cavacos por todas as faixas do álbum, a música é de uma delicadeza e intensidade melódicas tão verdadeiras, que parecem sempre estado em nossa memória. Para ouvir com o coração.

Faixa 9 Eu Bebo Sim/ Salve A Mocidade/ Ôba – Pra honrar um coletivo de clássicos carnavalescos como este ninguém melhor que a Rainha do Suingue,  Elza Soares. O calor de cada novo take deixou boquiabertos os que tiveram a privilégio de assistir a performance desta deusa personificada , gentileza e humildade absolutas.  É puro deleite.

Faixa 10 O Sino da Igrejinha/ Rap das Divindades  - Serjão Loroza canta aqui a abertura de serviços dos ensaios do MONOBLOCO. Juntando a esta pérola do Domínio Público e seu rap de louvação a todos os protetores do bloco a faixa  ganha contornos especias da guitarra de Tom Capone e um coro engrandecido pelas vozes das crianças sempre bem vindas.
Que se abram as portas.

Faixa 11  Alagados – Canção  dos Paralamas do Sucesso que se tornou um clássico dos ensaios do MONOBLOCO, desde a presença de Herbert Vianna como padrinho de um das primeiras festas do bloco,  não poderia estar de fora desta seleção, aqui engrandecida pela alegre interpretação de Pedro Quental e Serjão Loroza.  A alegria, apesar  da dureza da vida nas grandes cidades.

Faixa 12  Cirande em Frente - no ritmo da ciranda, que convida as pessoas ao congraçamento através da dança em uma grande roda, Pedro Luís, Rappin Hood e Xis falam da possibilidade de fazer o país girar numa rotação melhor para todos.

Faixa 13 Cabeleira do Zezé/ Alalaô/Mulata iê iê iê – Estes tres marcos  do cancioneiro carnavalesco ganham aqui um vigor do funk carioca, e nas interpretações de Pedro Luís,  Pedro Quental e Serjão Loroza esperam ver o salão pulando como nos bons tempos.

Faixa 14  Monobloco 2001 - Assim como abriu o disco fecha com um samba de Lesko Lesko, compositor popular de mais de 400 pagodes, que vem, com o MONOBLOCO, pedir pela paz.

Ps Sem Capitão Antônio,  Álvaro Alencar e sua equipe de gravação e  todos os batuqueiros e pessoas envolvidas na produção não seria possível realizar este cd.  Agradecimentos antecipados a todos aqueles que vão ajudar, daqui pra frente, a tornar esta trajetória feliz e duradoura.


Matérias

A folia do Monobloco vai para o CD
Bloco carnavalesco carioca chefiado por Pedro Luís & A Parede traduz sua diversidade rítmica em disco de estréia

Marco Antonio Barbosa/CliqueMusic em 12/1/2003

    Para o Carnaval de 2003, o Monobloco afinal foi botado na rua com tudo a que tinha direito. Para surpresa de quem achava que o bloco de rua era apenas um mero tijolo na Parede sonora do carioca Pedro Luís, o grupo - que junta os integrantes d A Parede ao guitarrista Rodrigo Maranhão, o cantor Serjão Loroza e mais uma miríade de convidados especiais - ganhou direito a seu próprio disco, que acaba de sair pela Universal Music bem a tempo de esquentar os tamborins para a folia deste ano. "O disco é o registro do sonho que a gente tinha de botar o Monobloco para a frente. É uma parte de uma história que só está começando", diz Pedro Luís sobre o álbum homônimo.

    Se você, leitor, é carioca, pode pular os próximos dois parágrafos. Se não for, vale a pena um aparte para explicar um pouco da história do Monobloco. Trata-se do bloco de Carnaval mais quente do Rio de Janeiro - o que, levando-se em conta a tradição de folia da cidade, não é pouca coisa. "A idéia inicial era adaptar para o instrumental de uma escola de samba alguns dos grooves que vínhamos desenvolvendo n A Parede", conta Pedro Luís. Este conceito nasceu depois de algumas oficinas de percussão desenvolvidas pelo grupo, que - para surpresa de seus integrantes - fizeram grande sucesso. Em 2000, a idéia desembocou no Monobloco, no qual Pedro e A Parede (os percussionistas Celso Alvim, Mário Moura, C.A.Ferrari e Sidon) arregimentavam os percussionistas amadores ("Com disposição, alguma ignorância e a teimosia que nos é peculiar", lembra-se Pedro) em animadas sessões de batucada no Clube Condomínio (Zona Sul do Rio). Celso foi aclamado como o maestro do grupo. "Eu já tinha a experiência de dar aulas de percussão e bateria e a regência naturalmente foi sobrando para mim", diz Celso.

    Ao núcleo formado por PL&AP, aprochegaram-se Rodrigo Maranhão (do grupo Bangalafumenga) e Serjão Loroza, animando o repertório formado por clássicos do sambão carioca, alguns covers bem selecionados e números inéditos. Logo logo, centenas de cariocas de tamborim na mão - e outros milhares que vinham só para olhar - começaram a gravitar em torno do Monobloco, a ponto de causar problemas para a vizinhança do clube onde rolavam os ensaios. "Demos sorte de nunca ter havido algum problema sério, pois o (Clube) Condomínio era realmente muito apertado", conta Celso Alvim. "Este ano nos mudamos para a Fundição Progresso, um local mais amplo e que incomoda menos a vizinhança", completa. A mistura sucesso + bagunça atraiu também a atenção de fãs célebres, que se mesclavam democraticamente à massa anônima atrás da farra. Herbert Vianna, Zélia Duncan, Lenine, Fernanda Abreu, Arnaldo Antunes e Seu Jorge foram alguns dos nomes que Nos Carnavais de 2001 e 2002, o Monobloco e seu contingente de percussionistas desfilou triunfante pelas ruas da Zona Sul do Rio. "O período de Carnaval sempre foi fraco em termos de shows. Mas com o Monobloco conseguimos preencher este vácuo tocando", lembra Celso.

    Pulando direto do Carnaval para os estúdios, em 2002 Pedro Luís e sua gangue resolveram colocar o paredão sônico do Monobloco em CD. "Já no segundo disco d A Parede (É Tudo 1 Real) tinhamos experimentado gravar todo mundo junto, em bloco", diz Pedro. Mas como colocar o Monobloco inteiro - 150 ritmistas - no estúdio? "Seria impossível", ressalta Celso. "Fizemos um núcleo com 25 percussionistas, escolhidos durante as oficinas, e mandamos ver." Na hora de escolher os "agregados especiais", o Monobloco foi mais generoso. Uma seleção de talentos da nova cena carioca, como Cabelo, Fábio Alman e Pedro Quental, se juntou a rappers (Xis e Rappin Hood), integrantes de escolas de samba cariocas e à onipresente Elza Soares. Membros dos grupos Bangalafumenga, Dread Lion, Boato, Chalaça, A Bruxa, Rio Maracatu, Afro Rio, Funk  N Lata e Eletro Samba integram a seção percussiva.

    A incrível batuqueira ganhou um pano de fundo sonoro que é uma verdadeira feijoada rítmica. Maracatu, funk, reggae, hip hop e, claro, o samba, estão no cardápio. Não importando o estilo original das músicas tocadas, tudo é subvertido pelo grupo. Do baião-rock de Mosca na Sopa (com citações a Samba do Lado, na Nação Zumbi, e Vou Batê Pa Tu, de Arnaud Rodrigues e Orlan Divo) a Alagados, do padrinho Herbert, vale tudo. "É tudo música de festa", resume Celso Alvim. Ainda tem Tim Maia (Imunização Racional), sambas-enredo e marchinhas (até a Cabeleira do Zezé foi ressuscitada). As inéditas foram compostas por Pedro e os agregados. Maracatu Embalado é de Rodrigo Maranhão, Monobloco 2002 é assinada pelo peculiar Lesko Lesko ("Ele já compôs mais de 400 pagodes e é o mais legítimo representante de nossa ala dos compositores," diz Pedro) e por aí vai.

    A boa notícia, para quem não é do Rio, é que a chegada do álbum afinal dará um motivo para que a folia do Monobloco se estenda a outras paragens. "Temos planos de, finalmente, armar uma turnê conjunta do PL&AP com o Monobloco, para outros estados", diz Celso Alvim. Enquanto isso, a bagunça fica instalada na Fundição Progresso até a sexta de Carnaval (dia 28 de fevereiro), ganhando as ruas durante os quatro dias de folia.